Escrito por: Kleber Vinicius Pimentel
Vivemos em um mundo que a cada dia precisamos acreditar em um poder superior, seja ele qual for, que nos ajude a superar as dificuldades e acontecimentos durante nossa vida. Alguns recorrem à religião, outros buscam o autoconhecimento, sempre em busca de fé, força e sabedoria para contornar os problemas que por ventura venham a acontecer.
Infelizmente, alguns durante essa jornada em busca do poder superior, acabam enfrentando grandes dilemas, ao conhecer um “ser”, ou um “Deus”, que muitas religiões e suas denominações pregam: um ser punitivo, muitas vezes cruel, que exige dos seus servos uma dedicação às vezes subumana, para evitar que erros e pecados sejam cometidos. Diante do contexto, me permito questionar: Deus, um ser perfeito, que prega o amor incondicional entre todas as pessoas, estando sempre disposto a perdoar independente do erro cometido, possui realmente a imagem que as religiões pregam de forma tão enfática?
Gosto especialmente de lembrar as várias situações que Jesus viveu quando esteve na terra, e dos grandes exemplos que este nos deixou. Mesmo diante das situações mais difíceis, Jesus nunca mostrou algum tipo de preconceito ou distinção entre as pessoas. Mesmo diante de pessoas, que perante aquela sociedade eram impuras, Jesus demonstrou um profundo amor.
Cito um exemplo conhecido pela maioria, onde uma mulher que havia traído o marido estava sendo condenada pelo seu ato. Jesus estava no monte das oliveiras, onde de madrugada se dirigiu ao templo e o povo começou a ir até ele, e assim, Jesus começou a ensiná-las. No intuito de por Jesus a prova e assim ter algum argumento para acusado, alguns religiosos da época, conhecidos como fariseus apanharam a mulher que cometera adultério e levaram-na até a presença de Jesus. Naquela época, a lei escrita por Moisés determinava que fosse apedrejado aquele que cometesse tal pecado. Diante de Jesus, fizeram a seguinte pergunta, tendo como referência a lei prescrita por Moisés: Realmente, o que dizes tu? Diante da insistência, sabiamente Jesus disse-lhes: “Que aquele de vós que estiver sem pecado seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. Em seguida, Jesus começou a escrever no chão. No entanto, aqueles que ouviram Jesus, começaram a sair, um por um, iniciando pelos mais velhos, até que restaram somente Jesus e a mulher. Demonstrando uma sabedoria sem igual, Jesus se dirigiu a mulher através das seguintes perguntas: “Mulher, onde estão eles? Não te condenou ninguém? Diante das perguntas, ela respondeu: “Ninguém, senhor”. Em seguida Jesus disse: “Tampouco eu te condeno. Vai embora; doravante não pratiques mais pecado”. Novamente, Jesus disse-lhe: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, de modo algum andará na escuridão, mas possuirá a luz da vida”.
Que retrato maravilhoso do amor verdadeiro! Como vimos, Jesus como filho e imagem de Deus, evidenciou através do seu exemplo o verdadeiro amor pelo próximo, livre de conceitos pré-estabelecidos, de regras determinadas por religiões criadas por homens, que muitas vezes usam o nome de Deus para punir de forma cruel seus servos. Acredito ser de extrema importância, não confundir a lealdade a Deus, com a lealdade em uma organização religiosa, como descrito por Raymond Franz, em seu livro Crise de Consciência.
Deus, como ser perfeito, detém propósitos para cada um de nós, que vão além do entendimento de meros seres humanos. Através das adversidades da vida, Deus opera de forma magnífica, causando as maiores mudanças e impactos no real sentido que a vida tem para cada um de nós.
Portanto, que estejamos sempre dispostos a conhecer o Deus verdadeiro, aquele que prega o amor e o perdão a todos, independente de raça, cor e religião. Que não permitamos que nossa opinião a respeito de Deus, seja pautada por imagens pré-estabelecidas por aqueles que dizem agir em nome dele. Finalizo, com uma frase retirada do livro “A cabana”, de William P. Young, este na minha humilde opinião, um verdadeiro agente divisor de águas no que se refere ao conhecimento a respeito do verdadeiro Deus que tanto ouvimos nas religiões.
...não importa qual seja o poder de Deus, o primeiro aspecto de Deus jamais é o do Senhor absoluto, do Todo-Poderoso. É o do Deus que se coloca no nosso nível humano e se limita.